domingo, 19 de maio de 2013

O Guia de um Guião - Capítulo I





A vida de um estudante universitário pode ser dividida em três grandes ênfases. Não é segredo nenhum que um deles é a vida social. No fim de contas é o que muitos consideram o mais importante. No fundo, em que consiste a vida social? É muito simples. Ela é representada pelos novos amigos que ganhamos ao longo do nosso percurso académico, quantidade de álcool inevitavelmente consumida nos bares tipicamente estudantis, pois o custo de uma imperial ou fino ou simplesmente cerveja é inferior ao preço de uma coca-cola mediana. Também não posso esquecer que as festas honradas com a nossa sagrada presença fazem parte do aclamado subconjunto, tal como as moças que saíram dessas mesmas festas de mãos, abraços ou outros sítios dados… Tudo isto e muito mais.

Assim, lentamente, cheguei ao segundo fragmento da nossa vida, o sono. Lembram-se das moças mencionadas umas linhas antes? Tenho à certeza que se lembram! Não? Então façam o favor de reler pois é importante para explicar o conceito. O que que as moças fazem? Hehe… Para além disso. Consomem dinheiro. É verdade, e mais? Dão trabalho. Sim senhor, os caros amigos estão perto mas ainda não é ai que eu quero chegar. Consomem tempo dizem vocês? Exacto, nem mais nem menos! Consomem tempo. O tempo sagrado para dormir. Mas isso é bom afirmam alguns. Mas sem qualquer margem de duvida! É bom, durante uma hora, mais ou menos, dependendo das capacidades individuais. E o resto do tempo? Ai está!

Mas nos estamos a esquecer de alguma coisa importante… Ah, sim! Boas notas. O Cálice Sagrado. A razão, supostamente, principal que nos fez passar pelas grandes portas de uma universidade. Tenho de admitir, apesar da maioria dos meus colegas e jovens contemporâneos considerarem importante este objectivo a seguir, poucos deles (ao contrario de mim é claro) fazem algum esforço, além do mínimo, para atingir esse fundamento do nosso futuro.

Para mim esta última partição tem o peso maioritariamente superior as restantes duas. Quero dizer, tinha…Mas esperem ai. Nenhum de vocês ainda me conhece, ou melhor, nenhum de vocês sabe quem eu era antes de toda esta história com o guião. Neste caso estou forçado a implorar o perdão e deixar a promessa de corrigir essa omissão da minha parte.

Olá! É assim que os escritores começam a contar as histórias sobre eles mesmos? Não? Bem, de qualquer maneira é bom que saudei os meus caros (ou baratos se não conseguir vender esta obra a ninguém) leitores no meio (um terço na verdade) do primeiro acto.

Eu sou, como vocês já desvendaram pela quantidade de referências dadas, um estudante. O meu nome é David e… Ora bem. Pelos vistos chegou altura de introduzir alguma acção se não de tanta discrição vocês, meus leitores, vão se aborrecer rapidamente. Portanto quero voltar no tempo. Para o início desta história, ou melhor ainda, uns dias antes, para explicar como fui parar a aquele concerto que mudou tudo…


Está um dia tão lindo, muta luz solar, oxigénio, azoto, entre outros componentes típicos de um dia de primavera. E o mais importante não está a chover! Axo que vou sentar na relva em frente a universidade. Não! Tenho uma ideia melhor… Vou deitar-me! Perfeito.

E o que é que vocês pensam que eu iria fazer depois? Conversar com os colegas sobre como o regente é aborrecido? Ou como curto é o vestido da Sara que até se vêem as… Nada disso, apesar da minha inigualável curiosidade relativamente as coisas que se vêem por baixo do vestido da Sara, eu não estou disposto a perder o meu tempo a discutir sobre tal importante assunto. Na verdade eu não sou propriamente uma pessoa muito social. Pois neste momento tenho objectivo a acabar os estudos com umas boas notas para entrar no mercado de trabalho com uma vantagem relativamente a gente que prefere tais assuntos rebuscados. Tenho vários amigos muito próximos e o resto é denominado pelo termo “gente conhecida”. Conheço os e eles conhecem a mim mas não há ai, entre, química nenhuma.

Então o que estou a fazer neste maravilhoso dia no meio da relva? Nem mais, nem menos do que ler o raio do manual de Econometria! Este gigante calhamaço com ajuda do qual consigo defender me contra Jet Li se for necessário, é uma obra prime de um senhor muito importante com o nome impronunciável. É engraçado que a capa do livro não tem nada a ver com o seu conteúdo. Mas essa falha é típica deste tipo de livros.

Passado meia hora, eu apercebo-me que estou a reler a primeira página de um dos capítulos pela nãoseiquegésima vez. É o sinal que o meu corpo precisa urgentemente de combustível e onde é o melhor lugar para adquirir tal elemento? O refeitório a esta hora encontra-se encerrado, o restaurante é caro de mais para mim, nesse caso a melhor solução é o bar situado não muito longe daqui. Eles vendem umas sandes muito boas e bastante baratas.

Levantei me e estava prestes a partir para a satisfação das minhas necessidades físicas quando alguém grita o meu nome. Bolas, essa voz significa que a comida irá esperar pela outra altura.

- David, eu andava a tua procura!

Tenho a honra de vos apresentar o meu melhor amigo. É curioso pois ele é completamente o meu oposto: muito social, as vezes maluco e é a ele que tenho de agradecer por puxar por mim para e obrigar vir a festas tal como fazer coisas doidas. Mais pormenores ficam para outra altura, agora não há tempo pois ele quere dizer alguma coisa.

- Olá Adam. O que contas?
- Tenho uma surpresa para ti, depois de amanhã vamos ao concerto de uma banda americana de rock. 

Uns amigos meus conseguiram arranjar bilhetes grátis e deram me dois! Então o que dizes? – Ele parece mesmo entusiasmado. 

- Ainda não digo nada. Primeiro pergunto. – Desconfio que houve umas recusas ao convite antes de ele vir ter comigo e aposto que sei quem recusou. – Eu pensava que o teu objectivo era passar um tempo a sós com Ana. Não é? Parece me uma oportunidade ideal para isso.
- Eu… Eu tentei mas sabes como ela é… Arranja com cada desculpa. Parece que só sai de casa para ir a faculdade. – Aqui tenho de vos explicar que a referida moça é muito tímida e não costuma sair muito. Mas recebe montes de propostas de saídas, muitas das quais vem do Adam. E quem é que sofre mais com isso? Não, não é o Adam. Sou eu pois tenho de aturar os sentimentos fragilizados dele. - De qualquer maneira vens comigo, certo? – Pedinchou ele.

O que é que tenho de responder? Se recusar vou ter mais uma noite sossegada, posso ler a vontade e acabar o trabalho de grupo. E se aceitar? Vou ter uma noite doída, cheia de álcool e fans lunáticos de uma banda qualquer o nome do qual nem conheço. Esperem ai. Esta última falha é fácil de resolver.

- Como se chama a banda?
- Me… Mo… Myladr ou algo do género. É um título usado pelo povo britânico para identificar a classe acima deles. – Ele nem conhece o nome da banda?
- Milord, queres tu dizer?
- Exacto! É mesmo esse. É uma banda nova e… pouco conhecida, mas vale totalmente a pena ir la! Acredita em mim, não te vais arrepender. – Ele não parece muito confiante nas suas palavras.
- Ainda tenho um dia para pensar certo? Então digo amanhã se vou ou não.
- Tem cuidado, há, muta, outra, gente que gostava de ir também. – E ele acha mesmo que me consegue enganar com isso?
- Ai sim? Por exemplo, quem? Diz me, ilumina-me? – Agora estou mesmo a gozar com ele.
- Hum… Umas pessoas… Amigas minhas que… tu não conheces. – Já chega. Não estou com paciência para isto.
- Okay, okay. Mesmo assim só digo te amanhã, se vou ou não. Combinado?
- Combinado. Até amanhã então. – E ele foi se embora.

Finalmente deixado sozinho com os meus pensamentos eu comecei a mover me em direcção ao bar. É um sítio bastante agradável. Limpo e sossegado. O cheiro de cerveja, habitual nos locais como este, não incomodava, muito pelo contrário, ajudava a penetrar nas questões fundamentais da humanidade: quem somos, qual é o sentido da vida, porque que o álcool desaparece tão inesperadamente e, a mais importante delas todas, quem é o último na fila para a casa de banho.

Penso que vou aceitar o convite. Não tenho nada a perder. Amanhã acabo o trabalho e estou perfeitamente livre. Vou com Adam, oiço música boa, ou simplesmente oiço música. Bebemos uns copos e provavelmente acabamos a noite a pedir um take away no MacDonalds e ir jogar Tekken a casa dele. É um bom plano e foi provado pela prática como o mais eficaz.

O próximo dia passou rápido. Faculdade, aulas, trabalho de grupo, almoço com alguns colegas na relva. Um filme a noite. Nada de especial. É um daqueles dias aborrecidos em que não acontece nada de novo. Nunca nos lembramos desses dias, são como uma gota no oceano da memória, nos lembramos a estrutura e multiplicamos essa mesma estrutura pelos dias-cópias. Assim poupamos espaço no nosso disco rígido cerebral.

O dia a seguir a esse também não mostrava qualquer tipo de acontecimentos significativamente importantes para dispersar a atenção neles. Mas a noite prometia algumas inovações…

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Este texto está sujeito a alterações, criticas, revisões e comentários. Não hesitem em dar o feedback pois estou a escrever para melhorar a minha escrita.

Continua brevemente.

Kyryll D.